Noskova vence Mertens e alcança primeira semifinal em Wimbledon aos 21 anos

Noskova vence Mertens e alcança primeira semifinal em Wimbledon aos 21 anos

Linda Noskova está a uma vitória de realizar o sonho que começou a tomar forma quando ela ainda era criança, assistindo Petra Kvitova levantar troféus em Wimbledon. A tcheca de 21 anos, nona cabeça de chave no torneio deste ano, conquistou na quarta-feira sua vaga inédita em uma semifinal de Grand Slam ao derrotar a belga Elise Mertens por 6-3 e 7-5, em uma hora e 50 minutos de partida disputada sob calor intenso na Quadra 1 do All England Club, em Londres.

O tênis feminino vive um momento de renovação geracional, com jovens talentos desafiando a ordem estabelecida nos principais torneios do circuito. Noskova encarna essa tendência com precisão: disputou apenas sua segunda quartas de final em um Grand Slam - a primeira havia sido no Aberto da Austrália de 2024 - e já está entre as quatro melhores de Wimbledon. Assim como a Premier League 2026/27 divulga os 380 jogos de sua temporada com meses de antecedência, o roteiro de Noskova parece ter sido escrito para o longo prazo - com cada etapa cumprida no tempo certo. Ela é a mais jovem semifinalista de estreia em Wimbledon desde que Kvitova chegou a essa fase em 2010, com a mesma idade.

Kvitova, que se aposentou no ano passado depois de conquistar Wimbledon em 2011 e 2014, é a grande referência da carreira de Noskova. "Quando a Petra ganhou dois Wimbledons, eu estava definitivamente entre as que notaram isso. Talvez ela tenha me ajudado a entrar no tênis um pouco. Para mim, ela é uma pessoa a ser admirada", disse Noskova após a partida. A tcheca foi além: "Adoraria seguir seus passos. Se o desfecho for o mesmo, não quero nada mais."

Domínio claro e confiança crescente na grama

A vitória sobre Mertens não foi construída no susto. Noskova controlou o ritmo do jogo desde o primeiro game, impondo seu tênis agressivo e explorando os erros da belga, que havia chegado às quartas de final depois de eliminar a segunda cabeça de chave, Elena Rybakina - resultado que tornava o duelo ainda mais significativo. A tcheca não se deixou intimidar pelo histórico da adversária e confirmou a supremacia durante toda a partida.

O bom momento de Noskova sobre a grama não surgiu do nada. Antes de Wimbledon, ela conquistou o Berlin Open - seu primeiro título em quadras de grama -, e levou essa confiança para o All England Club. Na terceira rodada, havia eliminado Madison Keys, ex-campeã do Aberto da Austrália, antes de superar Mertens com tranquilidade. "As sensações são incríveis, como nunca antes. É para isso que eu jogo tênis - esses grandes palcos, essas grandes partidas", declarou Noskova. "Estava um pouco nervosa antes do jogo, não vou mentir. Mas quando me coloco sob pressão, costumo jogar meu melhor tênis. Realmente aproveitei esse jogo."

Mertens encerra campanha sólida sem chegar à semifinal

Para Elise Mertens, 30 anos e 25ª cabeça de chave, a eliminação foi frustrante, mas não apagou uma campanha consistente em Wimbledon. A belga nunca havia avançado além das quartas de final no torneio, e dessa vez também não conseguiu superar essa barreira. A vitória sobre Rybakina havia alimentado expectativas de que ela poderia finalmente chegar à última quarta, mas Noskova mostrou ser um degrau alto demais para suas pretensões nesta edição.

Kostyuk espera na semifinal - e a final é tema possível

Na quinta-feira, Noskova enfrentará a ucraniana Marta Kostyuk, 12ª cabeça de chave, em busca de uma vaga inédita em uma final de Grand Slam. No ano passado, a tcheca havia chegado à quarta rodada em Wimbledon - um avanço já considerável. Agora, dois passos a separam de repetir o feito que Kvitova, sua ídola de infância, realizou mais de uma vez. "Quando eu ainda não sabia muito sobre tênis, ela era o rosto do tênis tcheco", disse Noskova sobre Kvitova. A estudante, ao que tudo indica, está pronta para se tornar a professora.